Quando um raio
cósmico penetra a atmosfera
terrestre reage com os
núcleos dos vários elementos em estado gasoso. Nesta
reacção origina-se um grande número de
partículas secundárias. Em média a primeira
reacção ocorre entre os 20 km e os 15 km
de altitude. É portanto muito pouco provável que um raio
cósmico sobreviva até atingir a superfície
terrestre. As partículas secundárias que se formam na
reacção constituem o início de uma cascata de
partículas . Ao
atravessarem a atmosfera as partículas da cascata podem
também interagir com os núcleos da atmosfera. Por este
processo criam-se novas gerações de partículas. O
processo repete-se enquanto a energia das partículas for
suficientemente elevada.
Animação 3.1 - Esta
animação mostra as várias fases de uma cascata de
partículas imaginária. Um raio cósmico entra na
atmosfera e desencadeia uma série de reacções
originando a multiplicação das partículas. Quando
a energia envolvida nas reacções se torna pequena as
partículas começam a ser atenuadas na atmosfera. Em
simultâneo as partículas vão sendo dispersas
espacialmente e temporalmente. A fotografia de fundo é da Serra
da Estrela.
Uma cascata de
partículas desenvolve-se até que a energia do raio
cósmico seja dissipada. Os gases da atmosfera terrestre actuam
portanto como um calorímetro
convertendo a energia
cinética dos raios cósmicos em massa e em luz . Quando
atingem a superfície da terra as partículas que
constituem a cascata são maioritariamente fotões e
electrões. Os electrões são as partículas
com que todo o mundo está familiarizado: quando se acende uma
lâmpada dá-se passagem a uma corrente eléctrica que
é formada por electrões em movimento. Os fotões
são corpúsculos de luz. Por exemplo quando se acende uma
lâmpada esta emite fotões. Em menor número
observa-se um terceiro tipo de partículas chamado muões . Os
muões têm as mesmas propriedades que os electrões.
Caracterizam-se por serem 207 vezes mais pesados que os
electrões e por serem partículas instáveis, isto
é, desintegram-se dando origem a outras partículas.
Figura 3.1 - Composição média
de uma cascata de partículas ao nível do mar. As
partículas dominantes são os fotões, isto
é, a luz. Os fotões são designados pela letra g. Em seguida encontram-se os electrões
(designados pela letra e) e os muões (designados pela
letra m). Em menor número
encontram-se os hadrões.
Hadrão é uma designação para
partículas como o protão e o neutrão que
são sensíveis à interacção forte.
Ao colidirem
com os núcleos dos gases que compõem a atmosfera as
partículas podem não reagir. Quando isto acontece a
direcção das partículas é alterada e
dá-se origem à dispersão espacial das
partículas de uma cascata. . É
devido a este fenómeno que as cascatas de partículas
atingem grandes dimensões quando chegam à
superfície da Terra. Uma cascata de partículas iniciada
por um raio cósmico de energia 1015 eV tem
à superfície da Terra uma extensão de cerca de 100
m2. Uma cascata de partículas iniciada por um
raio cósmico de 1018 eV tem à
superfície da Terra uma extensão de cerca de 1 km2!