LIP estuda radiação espacial relevante para futuras missões à Lua e a Marte
"No contexto do programa Artemis, o LIP desenvolve modelos que ajudam a estimar a exposição à radiação em futuras missões à Lua e a Marte."

Pôr da Terra observado a partir da Artemis II. Crédito: NASA.
Pela primeira vez em mais de 50 anos, quatro astronautas a bordo da missão Artemis II da NASA estão a voar em torno da Lua, marcando um momento histórico na exploração espacial. As imagens já divulgadas - da superfície lunar, da face oculta e de eclipses solares - estão a captar a atenção do público em todo o mundo e a destacar a importância de compreender melhor os desafios associados a futuras missões tripuladas, nomeadamente a exposição à radiação espacial.
É neste contexto que o trabalho realizado pelo LIP ganha particular relevância. A Agência Espacial Europeia (ESA) desempenha um papel central neste regresso à Lua através do Módulo de Serviço Europeu, que fornece energia, propulsão e suporte essencial à nave Orion. O LIP integra este esforço internacional através do desenvolvimento do modelo de radiação lunar LUNAIRE, criado para a ESA com o apoio da Agência Espacial Portuguesa. Este modelo permite estimar as doses de radiação a que os astronautas poderão estar expostos na superfície lunar e avaliar a eficácia de abrigos de proteção. O LIP desenvolveu também o dMEREM, um modelo semelhante para o estudo da radiação em missões a Marte.

Interação de partículas solares com a superfície lunar (ilustração adaptada a partir de imagem da NASA).
A par deste trabalho sobre a radiação na Lua e em Marte, o contributo do LIP estende-se também à instrumentação e à análise de dados em missões interplanetárias. O instituto lidera as operações e a análise de dados dos monitores de radiação a bordo das missões JUICE e BepiColombo, atualmente a caminho de Júpiter e de Mercúrio, respetivamente. Estes instrumentos são fundamentais para caracterizar o ambiente de radiação no Sistema Solar e aprofundar o conhecimento sobre os riscos que este representa, tanto para os astronautas como para os sistemas eletrónicos em futuras missões de exploração.
Durante a missão Artemis II, a BepiColombo encontra-se numa posição privilegiada entre a Terra e o Sol, permitindo recolher informação valiosa sobre o ambiente de radiação espacial nas proximidades do Sol, nomeadamente sobre os fluxos de protões e eletrões, que podem ter impacto direto na segurança da tripulação e no desempenho dos sistemas eletrónicos.
Construídos em Portugal, os monitores de radiação da JUICE e da BepiColombo são um exemplo concreto da capacidade científica e tecnológica nacional em áreas estratégicas da exploração espacial. Com este trabalho, o LIP reforça a presença de Portugal em missões internacionais e contribui para tornar mais segura a próxima geração de missões à Lua, a Marte e a outros destinos do Sistema Solar.

Posição relativa da Terra e de várias missões espaciais no Sistema Solar à hora do lançamento da Artemis II. Crédito: Solar-MACH.