Fundação “la Caixa” financia dois projetos do LIP para promover uma sociedade mais justa e democrática
EQUI-PHARM e INVIS_AI foram selecionados na edição de 2026 da Social Research Call. Os projetos aplicam ciência de dados a dois desafios contemporâneos: as desigualdades no acesso aos medicamentos e o impacto da inteligência artificial no acesso à informação política.

Dois projetos do LIP foram selecionados na edição de 2026 da Social Research Call do Observatório Social da Fundação “la Caixa”, uma iniciativa que apoia investigação orientada para a compreensão e resolução de alguns dos principais desafios sociais da atualidade.
EQUI-PHARM e INVIS_AI partem de áreas distintas, mas partilham uma abordagem comum: utilizar metodologias de ciência de dados para tornar visíveis desigualdades, produzir conhecimento útil para a sociedade e contribuir para políticas públicas baseadas em evidência. O EQUI-PHARM será financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito da parceria estabelecida com a Fundação “la Caixa”.
Quando uma receita não significa acesso ao medicamento
Apesar da cobertura universal assegurada pelo Serviço Nacional de Saúde, persistem desigualdades no acesso efetivo aos medicamentos. É este o ponto de partida do EQUI-PHARM – Quantifying Socio-Economic Barriers to Pharmaceutical Access in Portugal Using Digital Records, liderado por Lília Perfeito, investigadora do LIP.
O projeto irá recorrer a dados nacionais de prescrições eletrónicas e de dispensa de medicamentos para identificar e medir barreiras económicas e territoriais no acesso à medicação. A equipa irá analisar, entre outros fatores, padrões de não aquisição de medicamentos, possíveis atrasos associados aos ciclos de rendimento e diferenças geográficas na acessibilidade às farmácias.
Um dos resultados será o Monitor EQUI-PHARM, uma ferramenta de apoio à decisão destinada às administrações de saúde e aos decisores públicos, que permitirá identificar situações de vulnerabilidade e apoiar intervenções mais direcionadas.
“O primeiro passo para combater as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde é o diagnóstico de quem são, e onde estão as populações em risco. O projeto EQUI-PHARM propõe-se a analisar o acesso aos medicamentos na população portuguesa, fazendo uso de dados administrativos e demográficos, combinados com modelos informados pela prática clínica”, explica Lília Perfeito.
O projeto conta também com a colaboração de profissionais de saúde, procurando aproximar os resultados da investigação das necessidades concretas dos cidadãos e do sistema de saúde.
Todos os dias, motores de pesquisa e modelos de linguagem baseados em inteligência artificial selecionam, organizam e priorizam a informação a que acedemos. Mas o que acontece quando essa informação é política?
O INVIS_AI, liderado por Joana Gonçalves-Sá, investigadora do LIP, vai estudar de que forma estes sistemas organizam a informação política, se introduzem enviesamentos e como estes podem afetar a visibilidade de partidos e temas políticos em Portugal e Espanha.
A equipa combinará auditorias automatizadas em larga escala com estudos experimentais, acompanhando o percurso desde a informação apresentada pelas plataformas até ao seu potencial impacto nas perceções dos cidadãos.
Entre os resultados previstos estão uma infraestrutura aberta para auditoria de plataformas digitais e um novo indicador de pluralismo, o Pluralism Gap, que permitirá comparar a visibilidade política promovida por motores de pesquisa e modelos de linguagem com indicadores independentes da realidade política.
Desenvolvido em parceria com Pedro Magalhães, do Instituto de Ciências Sociais (ICS), e com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o projeto adotará uma abordagem comparativa entre Portugal e Espanha.
“Os sistemas algorítmicos desempenham um papel cada vez mais importante na forma como acedemos à informação. Compreender de forma rigorosa como organizam essa informação e como esse processo varia entre diferentes países, línguas e contextos é essencial para apoiar políticas públicas e regulação”, afirma Joana Gonçalves-Sá.
Ciência de dados para novos desafios sociais
A seleção dos dois projetos reforça uma vertente interdisciplinar da investigação desenvolvida no LIP, aproximando sistemas complexos e ciência de dados de áreas como a saúde, as ciências sociais e a inteligência artificial, em colaboração com entidades públicas e organizações da sociedade civil.