Da Terra ao espaço e de volta: amostras do projeto GLOSS regressam da Estação Espacial Internacional
O projeto vai agora estudar em Coimbra os efeitos do ambiente espacial em materiais para futuros telescópios de raios gama
Depois de cerca de um ano na Estação Espacial Internacional (ISS), amostras de telureto de cádmio e zinco (CdZnTe ou CZT) do projeto GLOSS – Gamma-ray Laue Optics and Solid State detectors estão de regresso à Terra e serão agora estudadas em Coimbra.

As amostras foram recentemente recebidas no ESTEC, o centro tecnológico da Agência Espacial Europeia (ESA), nos Países Baixos, por elementos do grupo i-Astro – Instrumentação para Astrofísica, do LIP.

O projeto GLOSS estuda os efeitos do ambiente de órbita terrestre baixa nos materiais utilizados em componentes de futuros telescópios espaciais de raios gama. Durante a sua permanência na Estação Espacial Internacional, as amostras estiveram expostas a condições reais do ambiente espacial, incluindo radiação e grandes variações de temperatura.
De volta à Terra, os sensores baseados em CZT serão agora testados em Coimbra e o seu desempenho comparado com o de sensores equivalentes que permaneceram em Terra. O objetivo é avaliar eventuais níveis de degradação provocados pela exposição ao ambiente espacial e compreender de que forma estes efeitos podem influenciar o desempenho e o tempo de vida dos detetores utilizados em futuras missões de astrofísica de altas energias.
Coordenado pelo LIP, o GLOSS conta com a participação da Universidade de Coimbra, da Universidade da Beira Interior, do Istituto Nazionale di Astrofisica (INAF), do Istituto dei Materiali per l'Elettronica e il Magnetismo (IMEM-CNR) e da Universidade de Ferrara. Em Portugal, as atividades do projeto envolvem também a Active Space Technologies.
O LIP é responsável pela gestão e coordenação do projeto e das atividades desenvolvidas pelos diferentes parceiros, coordenando também os testes dos detetores baseados nas amostras de CZT, bem como a análise dos resultados científicos e a sua disseminação.
Financiado através do programa PRODEX da ESA e pela Agência Espacial Portuguesa, o GLOSS procura contribuir para o desenvolvimento de instrumentos mais resistentes e eficientes para futuras missões espaciais de observação do Universo em raios gama.