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Sensores para futuros telescópios espaciais regressam à Terra após um ano na Estação Espacial Internacional

LIP ECO/Andreia Pacheco | 11 Março, 2026

"Os sensores serão analisados nas instalações do LIP em Coimbra para estudar o impacto da exposição prolongada ao ambiente espacial no seu desempenho."


A experiência GLOSS é liderada pelos investigadores do LIP Rui Curado Silva e Jorge Maia. Os sensores regressaram à Terra a 27 de fevereiro, a bordo da cápsula Cargo Dragon C211, da SpaceX, após a missão SpX-33, que amarou no Oceano Pacífico, ao largo de San Diego, Califórnia.

Em causa estão sensores de CZT (telureto de cádmio e zinco), que estiveram expostos durante cerca de um ano ao ambiente espacial no exterior da Estação Espacial Internacional.

A astronauta Sunita Williams na escotilha de acesso ao exterior da Estação Espacial Internacional durante a instalação das amostras (assinaladas a vermelho no detalhe).

A experiência GLOSS (Optica para raios gama e sensores de estado sólido) procura avaliar de que forma o ambiente espacial afeta o desempenho deste tipo de sensores, relevantes para o desenvolvimento de instrumentação destinada à observação do Universo em raios X e raios gama, no contexto da astrofísica de altas energias.

Durante a permanência na plataforma exterior Bartolomeo, os sensores estiveram sujeitos a condições extremas, incluindo radiação orbital, oxidação e fortes variações de temperatura, que podem oscilar entre cerca de -150 °C e 120 °C. O objetivo é compreender melhor como estas condições influenciam a degradação do seu desempenho ao longo do tempo.

Os sensores deverão chegar a Coimbra dentro de cerca de dois meses. Nessa fase, serão testados e comparados com sensores equivalentes que permaneceram na Terra, permitindo avaliar o impacto da exposição prolongada ao ambiente espacial.

Imagem da amaragem da cápsula

Os resultados deste trabalho poderão contribuir para o desenvolvimento de sensores mais robustos e sensíveis para futura instrumentação espacial dedicada à astrofísica de altas energias, reforçando a capacidade de observação de fenómenos extremos no Universo.

Além do LIP e da Universidade de Coimbra, a experiência GLOSS integra equipas do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF/OAS-Bologna) e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma (CNR/IMEM-Parma).

A experiência foi financiada pelo programa PRODEX da Agência Espacial Europeia (ESA) e pela Agência Espacial Portuguesa, tendo sido selecionada no âmbito do concurso Euro Material Ageing, promovido pela ESA.

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